Essa semana no auge dos debates sobre a presença da Policia Militar no campus, a corporação se viu envolvida numa polémica.
Policias militares obrigaram três jovens ou adolescentes a dançarem o rebolation numa abordagem de rotina. Esta foi mais uma demonstração contundente de que a PM no campus vai prestar um desserviço.
Acho que todo mundo tem o direito de dançar o rebolation no Forró, mas não sob a mira de revolver da PM.
E não venham com o argumento de que foi uma atitude isolada, esse foi apenas o rebolation que foi pro Youtube, fora as varias humilhações que jovens da periferia sofrem todo dia pela cidade.
Vamos dançar o baculation na Cidade Universitaria?
Um canal de debates sobre universidade pública, politicas educacionais, fatos e acontecimentos na UFPA.
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quarta-feira, 2 de junho de 2010
terça-feira, 1 de junho de 2010
Mais uma da PM
Ontem, 31 de Maio a Policia Militar de Santa Catarina prenderam vários estudantes na UDESC que protestavam contra o aumento da tarifa de ônibus.
Dado o cara ter que a coisa toma é preciso entoar a palavra de ordem "policia é pra ladrão, pra estudante não"
Dado o cara ter que a coisa toma é preciso entoar a palavra de ordem "policia é pra ladrão, pra estudante não"
sábado, 29 de maio de 2010
De qual PM estamos falando?

Esta semana ocorrerá a audiência pública dos estudantes da Universidade Federal do Pará com o reitor Carlos Maneschy sobre a segurança na universidade, depois do ato das velas com mais de 120 de estudantes, organizado pelo Diretorio Central dos Estudantes.
O fato novo e que deve ser o mais polêmico é a entrada ou não da Policia Militar na Cidade Universitaria. Esta semana um estudante foi preso dentro do campus, além de humilhado pela polícia militar da governadora Ana Júlia Carepa.
Esta atitude da Polícia Militar já foi contundente pra demonstrar seu excesso.
É preciso pontuar algumas coisas no debate de quarta no Centro de Convenções, e a primeira é a tradição de autoritarismo, exagero, excessos e repressão que caracteriza a Policia.
Estamos falando da mesma Policia que fez a operação contra a violência na Terra Firme no dia em que prenderam o estudante, e que no outro dia era denunciada na Corregedoria por vários excessos, pra usar um eufemismo.
Estamos falando da Policia Militar que no Pará repreende um sem número de manifestações, se alguém quiser esclarecimentos é só procurar os companheiros do MST, MAB, do Comitê Xingu Vivo, dos professores da rede pública, dos companheiros do movimento popular que por vezes tem que fechar ruas para serem vistos pela sociedade.
Qual a garantia que temos que uma vez autorizada a entrada da PM no campus, nós, estudantes, em qualquer simples manifestação, não seremos reprimidos? Será que vamos ver reproduzidas na UFPA a triste cena que vimos pela televisão da cavalaria de Arruda reprimindo estudantes que lutavam contra corrupção? Será que se for preciso ocupar a reitoria a PM não vai intervir?
Estamos falando de um Policia Militar que é mal preparada, que bate em muitos jovens, matando-os muitas vezes, e que no outro dia jornais dizem "foi acerto de contas com o tráfico".
Estamos falando da Policia Militar que não consegue com o seu efetivo policial garantir níveis mínimos de segurança na Terra Firme e no Guama, e qual a garantia que resolverá o problema da segurança na Cidade Universitaria?
Precisamos da Policia Militar sim, mas precisamos deles no Terminal de onibus, principalmente a noite, precisamos deles quando vamos pros outros portões, precisamos deles quando passamos de carro e somos assaltados na Perimetral em plena luz do dia. Precisamos da PM, mas creio que precisamos deles mais la fora do que dentro do campus.
Por ultimo fica a pergunta: será que a Policia Militar vai resolver o problema da segurança na universidade, ou será mais uma evasao para nao enfrentarmos os reais problemas?
Esta é uma questão que precisa ser muito bem debatida, e que há de se usar a experiência da sociedade paraense para definir os rumos da UFPA nos próximos anos.
sexta-feira, 28 de maio de 2010
Eleições no IFCH
Acho que apesar das contradições e dos problemas na elaboração da prova do vestibular João Marcio será mesmo o diretor do IFCH. Informações dão conta de que algumas lideranças o reconhecem como o legitimo diretor, e prometem nao dar tregua em sua gestao.
quinta-feira, 27 de maio de 2010
PM no campus agride e prende estudante na UFPA
Esta semana ao ler os jornais fiquei sabendo que o reitor da UFPA, Carlos Maneschy, estaria se reunindo com o comandante geral da Policia Militar do Pará para discutir a entrada da Policia Militar no campus da UFPA e a realização de um convenio.
Neste momento apenas "discutia-se" a entrada da PM numa proposta da reitoria, que precisaria ser aprovada depois de amplo debate e homologada no Conselho Superior da UFPA.
Hoje quando os estudantes chegavam na Cidade Universitaria perceberam que proximo ao quarto portao haviam mais de 70 pessoas presa, numa opeação da PM para coibir a violencia na Terra Firme, um dos bairros com alto indice de criminalidade que cerca a UFPA.
Acontece que a PM resolveu sem autorização entrar no campus. Por volta de 17 horas um estudante estava na beira do Rio fumando um cigarro de maconha e foi detido e humilhado por policiais militares. Duas coisas sao importantes esclarecer, embora todos saibamos: consumo de drogas nao é mais crime neste país, apenas o tráfico é crime, e a entrada da Policia Militar so ocorre com autorização expressa da Reitoria.
Assim, na mesma hora fomos à reitoria falar com o reitor, que negou que tivesse dado autorização pra Policia Militar entrar no campus, e que apenas está discutindo um convenio para a segurança da UFPA.
Assim, encaminhamos pra quarta-feira uma audiencia pública no Centro de Convenções da UFPA às 16 horas, chamamos a todos para discurtirmos a segurança na Universidade.
Neste momento apenas "discutia-se" a entrada da PM numa proposta da reitoria, que precisaria ser aprovada depois de amplo debate e homologada no Conselho Superior da UFPA.
Hoje quando os estudantes chegavam na Cidade Universitaria perceberam que proximo ao quarto portao haviam mais de 70 pessoas presa, numa opeação da PM para coibir a violencia na Terra Firme, um dos bairros com alto indice de criminalidade que cerca a UFPA.
Acontece que a PM resolveu sem autorização entrar no campus. Por volta de 17 horas um estudante estava na beira do Rio fumando um cigarro de maconha e foi detido e humilhado por policiais militares. Duas coisas sao importantes esclarecer, embora todos saibamos: consumo de drogas nao é mais crime neste país, apenas o tráfico é crime, e a entrada da Policia Militar so ocorre com autorização expressa da Reitoria.
Assim, na mesma hora fomos à reitoria falar com o reitor, que negou que tivesse dado autorização pra Policia Militar entrar no campus, e que apenas está discutindo um convenio para a segurança da UFPA.
Assim, encaminhamos pra quarta-feira uma audiencia pública no Centro de Convenções da UFPA às 16 horas, chamamos a todos para discurtirmos a segurança na Universidade.
quarta-feira, 26 de maio de 2010
E Joao Marcio venceu
Ao final da noite de ontem João Marcio venceu nas urnas a eleição do IFCH numa vitoria incontestavel, nao dependendo das urnas do interior pra sair vitorioso.
Daí surgem duas questoes: qual foi a forma como os estudantes do IFCH interpretaram a questao da fraude no vestibular e se diretor eleito será realmente diretor empossado
Os proximos capitulos dessa novela prometem ser agitados. Nao esqueçamos que eleição so termina na posse, e olhem que há controversias.
Daí surgem duas questoes: qual foi a forma como os estudantes do IFCH interpretaram a questao da fraude no vestibular e se diretor eleito será realmente diretor empossado
Os proximos capitulos dessa novela prometem ser agitados. Nao esqueçamos que eleição so termina na posse, e olhem que há controversias.
sexta-feira, 14 de maio de 2010
Precisamos de mais Suelenes por ai
Ontem, 13 de Maio, mais de 120 estudantes da UFPA fizeram uma ato contra a falta de segurança e o abandono da universidade.
A indignação partiu com a tentativa e estupro de uma estudante no banheiro do Instituto de Letras e Comunicação - ILC, do espancamento de um estudante no Banheiro do Vadiao, do arrastão que ocorreu durante a festa no Congresso Estudantil da UFPA e varias denuncias que vem por ai.
Mais um ato fizemos, reivindicando mais iluminação, o circular funcionando e o debate de que a vida das pessoas é o maior património da universidade.
Dessa vez o fato novo no ato foi a prof. Suelene Pavão, da Faculdade de Ciências Sociais, que esteve presente nas mobilizações, chamando professores a luta em defesa da vida na Cidade Universitária. São nesses momentos que os ânimos se renovam, que a vontade de militância aumenta, pois percebemos que o apoio docente nas lutas é fundamental, em primeiro lugar porque não e uma luta isolada dos estudantes e do DCE, e sim de todos os que transitam pelo Campus, e que os mesmos professores que oram debocham de nossas lutam podem ver seus filhos assaltados ou assinados um dia, lógico que este não e um desejo, mas se não lutarmos a coisa só tende a piorar.
Como diz nossa palavra de ordem "alerta, alerta, alerta juventude, a luta é o que muda, o resto só ilude".
À prof. Suelene os meus parabéns, ah se tivéssemos mais docentes engajados e solidários as lutas estudantis...
A indignação partiu com a tentativa e estupro de uma estudante no banheiro do Instituto de Letras e Comunicação - ILC, do espancamento de um estudante no Banheiro do Vadiao, do arrastão que ocorreu durante a festa no Congresso Estudantil da UFPA e varias denuncias que vem por ai.
Mais um ato fizemos, reivindicando mais iluminação, o circular funcionando e o debate de que a vida das pessoas é o maior património da universidade.
Dessa vez o fato novo no ato foi a prof. Suelene Pavão, da Faculdade de Ciências Sociais, que esteve presente nas mobilizações, chamando professores a luta em defesa da vida na Cidade Universitária. São nesses momentos que os ânimos se renovam, que a vontade de militância aumenta, pois percebemos que o apoio docente nas lutas é fundamental, em primeiro lugar porque não e uma luta isolada dos estudantes e do DCE, e sim de todos os que transitam pelo Campus, e que os mesmos professores que oram debocham de nossas lutam podem ver seus filhos assaltados ou assinados um dia, lógico que este não e um desejo, mas se não lutarmos a coisa só tende a piorar.
Como diz nossa palavra de ordem "alerta, alerta, alerta juventude, a luta é o que muda, o resto só ilude".
À prof. Suelene os meus parabéns, ah se tivéssemos mais docentes engajados e solidários as lutas estudantis...
segunda-feira, 10 de maio de 2010
Quem és tu, PSTU?
Por Edilson Silva*, em 23.04.2010
O PSTU traz extensa matéria em recente edição de seu periódico, Opinião Socialista, criticando o PSOL. Até aí nada de novo. O PSTU faz com o PSOL o que o PCO, Partido da Causa Operária, faz com o PSTU, acusando-o de reformista, contra-revolucionário e outras bobagens. Bobagens porque, afinal, os males do PSTU não são estes, mas o seu inconseqüente idealismo e sua metodologia nada científica de análise da realidade. A novidade nesta matéria é que agora o PSTU ousa decretar a falência do PSOL, culpando a sua concepção partidária, que admite tendências permanentes no seu cotidiano partidário, como responsável por esta suposta falência.
A base para a afirmação do PSTU é o resultado da recente conferência eleitoral do PSOL, que foi concluída com a indicação única do nome de Plínio de Arruda Sampaio à presidência da República. Segundo o PSTU, o PSOL saiu rachado, o que inclusive justifica a sua posição de não querer aliança com o PSOL para a Frente de Esquerda. Esta afirmação do PSTU, como muitas outras, não passa no teste elementar dos fatos e busca esconder uma tática política tão nova quanto os tratados militares de Sun Tzu.
De fato, o PSOL passou por um duro processo interno. Uma intensa discussão interna. Foram mais de 11 mil filiados reunidos em 26 estados brasileiros (algo impensável para um partido como o PSTU). Somente o Amazonas não fez plenárias municipais. Somente em São Paulo reuniram-se certamente mais filiados e ativistas que o total do PSTU em todo o Brasil. Três pré-candidatos bastante respeitáveis, três quadros experimentados, mesmo com as diferenças existentes, viajaram pelo país debatendo nas principais capitais. O PSOL foi invadido por uma intensa discussão política. Debatemos estratégia política, programa para o Brasil, caminhos para o socialismo, concepção de partido. Foram muitas divergências, muitas mesmo, mas todas elas se debatendo em como organizar melhor a nossa classe para enfrentar o capital e sua barbárie. Eu mesmo achei e continuo achando que algumas posições são bastante equivocadas, mas se assim não fosse, não haveria as divergências internas.
Infelizmente, no final do processo, ações equivocadas de parte da direção anularam delegações, gerando fortes tensionamentos. Num ato maiúsculo, os descontentes abdicaram da disputa pela indicação e decretaram que a vida continua, todos no PSOL. O meu pré-candidato internamente não foi o candidato indicado pelo partido, mas, na condição de candidato do PSOL ao governo de Pernambuco, de consenso inclusive, estou disponível para fazer a campanha do Plínio, dentro do clima de respeito que deve presidir as relações que se pretendam unitárias num partido socialista, plural e democrático. Todos os militantes do PSOL, cada um a seu tempo, cada um com sua sensibilidade, saberá dar sua contribuição para a construção de nossa estratégia eleitoral.
Isso, com certeza, não significará abstenção de diferenças. A luta interna no PSOL vai continuar, e tomara que continue, com aperfeiçoamentos no funcionamento da democracia partidária, reunindo nas disputas internas não mais “apenas” 11 mil filiados, mas 20, 30, 50 mil filiados. Queremos que se multipliquem dentro do PSOL as disputas, mostrando a pulsação e vivacidade do partido, e com elas biografias como as de Luciana Genro, Chico Alencar, Ivan Valente, Raul Marcelo, Carlos Giannazi, Marcelo Freixo, Eliomar Coelho, Fernanda Melchiona, Pedro Ruas, Ricardo Barboza, Elias Vaz, João Alfredo. Com alguns destes tenho grandes divergências, mas os quero e vou sempre trabalhar para que estejam dentro do PSOL.
Queremos que o PSOL transforme em força política real os quase 7 milhões de votos obtidos em 2006 por nossa maior liderança, Heloisa Helena, que será eleita senadora por Alagoas, convertendo-se numa das maiores vitórias da esquerda socialista brasileira nesta conjuntura eleitoral.
Queremos mais. Queremos mais e novos Osmarinos, lutadores dos povos da floresta. Queremos mais intelectuais como Leandro Konder e Carlos Nelson Coutinho. Queremos mais garotos da terceira idade como Milton Temer. Queremos mais líderes como João Batista, Gim Cabral e Marilda, lideranças do MTL que estão sendo criminalizados por lutarem pela terra no Triangulo Mineiro.
Queremos mais jovens organizados politicamente nas universidades e no meio popular. Queremos mais lideranças sindicais, mais Janiras; mais e mais trabalhadores do campo e da cidade, camelôs, mais flanelinhas, como aqueles organizados em Petrolina, no sertão nordestino, e que tem no PSOL seu partido. Queremos mais ousados e ousadas jovens e não tão jovens lideranças que se lançaram a disputar mais de 400 prefeituras do país em 2008, dentre estas as maiores metrópoles.
Queremos mais mulheres como Bernadete, a candidata feminista do PSOL ao governo de Tocantins em 2010. Queremos mais gente ousada como o polêmico e decidido Cinco, do Rio de Janeiro, lutador da causa da Cannabis: descriminalização, já! Queremos mais ativistas corajosos, gays, como Jean Willis, o Big Brother com consciência de classe, que se candidatará a deputado pelo Rio de Janeiro. Queremos mais artistas críticos como Marcelo Yuka, que também será candidato pelo PSOL no Rio de Janeiro agora em 2010. Queremos tudo isto e todos eles como são, pois nos interessa processar esta diversidade num debate vivo, sem o qual o PSOL jamais será um partido popular, de massas, com condições verdadeiras de tirar a estratégia socialista dos discursos de auditório e transformá-la em realidade.
É este partido, que guarda dentro de si esta força e esta diversidade, que o PSTU ousa decretar a falência. A realidade fala outra coisa. O PSOL deve estar falido, e tomara que esteja mesmo, como possibilidade de ser um partido parecido com o PSTU. Aliás, para isto militamos todos os dias. O PSOL, como fundamos, nega-se a cometer os mesmos erros do PT, mas também nega-se intransigentemente a cometer os mesmos erros do PSTU.
É importante que se saiba que o PSTU não tem tendências internas, mas tem uma fração interna dirigente permanente que não admite qualquer divergência. Alguma semelhança com a era Stalin à frente do PC na ex-URSS? É por isso que a cada congresso do PSTU um grupo interno se organiza e, pensando que há democracia, tenta discutir alguma coisa, mas é esmagado pela fração interna permanente que dirige aquele partido, saindo em seguida. O PSTU é o partido não das tendências, mas das rupturas, incontáveis. Foi isso que aconteceu em 2001, por exemplo, quando uma plenária do PSTU realizada em Recife foi anulada por que a tendência contrária à maioria do Comitê Central foi vitoriosa. Esta manobra burocrática gerou a saída de mais um grupo organizado do PSTU, o Coletivo Socialista, mais tarde convertido em Pólo de Resistência Socialista, grupo que depois viria a fundar o PSOL com uma certeza: modelo PSTU, nunca mais!
A vida política interna do PSOL tem a ver com uma concepção partidária presente já no seu nome: LIBERDADE. É esta liberdade, com a clareza de que somos uma organização política de socialistas, e que acredita que sem povo organizado não há poder popular possível, que ousamos dizer que não estamos falindo, estamos apenas começando. É esta mesma liberdade e esta concepção partidária, de conviver com diferenças, que nos faz ver mesmo no PSTU o que nos une e não aquilo que nos separa, o que nos leva a propor, de forma honesta e franca, a construção de uma Frente de Esquerda para disputar as eleições 2010, para combater a falsa polarização PT versus PSDB e as falsas alternativas que se apresentam, como Marina Silva, do PV.
* Foi fundador do PSTU em 1994. Em 2002, foi fundador do Coletivo Socialista, dissidência do PSTU, que se transformou depois no grupo regional Pólo de Resistência Socialista, que com outras forças fundou o PSOL em 2004. Atualmente é Presidente do PSOL-PE e membro da Direção Executiva Nacional do PSOL.
O PSTU traz extensa matéria em recente edição de seu periódico, Opinião Socialista, criticando o PSOL. Até aí nada de novo. O PSTU faz com o PSOL o que o PCO, Partido da Causa Operária, faz com o PSTU, acusando-o de reformista, contra-revolucionário e outras bobagens. Bobagens porque, afinal, os males do PSTU não são estes, mas o seu inconseqüente idealismo e sua metodologia nada científica de análise da realidade. A novidade nesta matéria é que agora o PSTU ousa decretar a falência do PSOL, culpando a sua concepção partidária, que admite tendências permanentes no seu cotidiano partidário, como responsável por esta suposta falência.
A base para a afirmação do PSTU é o resultado da recente conferência eleitoral do PSOL, que foi concluída com a indicação única do nome de Plínio de Arruda Sampaio à presidência da República. Segundo o PSTU, o PSOL saiu rachado, o que inclusive justifica a sua posição de não querer aliança com o PSOL para a Frente de Esquerda. Esta afirmação do PSTU, como muitas outras, não passa no teste elementar dos fatos e busca esconder uma tática política tão nova quanto os tratados militares de Sun Tzu.
De fato, o PSOL passou por um duro processo interno. Uma intensa discussão interna. Foram mais de 11 mil filiados reunidos em 26 estados brasileiros (algo impensável para um partido como o PSTU). Somente o Amazonas não fez plenárias municipais. Somente em São Paulo reuniram-se certamente mais filiados e ativistas que o total do PSTU em todo o Brasil. Três pré-candidatos bastante respeitáveis, três quadros experimentados, mesmo com as diferenças existentes, viajaram pelo país debatendo nas principais capitais. O PSOL foi invadido por uma intensa discussão política. Debatemos estratégia política, programa para o Brasil, caminhos para o socialismo, concepção de partido. Foram muitas divergências, muitas mesmo, mas todas elas se debatendo em como organizar melhor a nossa classe para enfrentar o capital e sua barbárie. Eu mesmo achei e continuo achando que algumas posições são bastante equivocadas, mas se assim não fosse, não haveria as divergências internas.
Infelizmente, no final do processo, ações equivocadas de parte da direção anularam delegações, gerando fortes tensionamentos. Num ato maiúsculo, os descontentes abdicaram da disputa pela indicação e decretaram que a vida continua, todos no PSOL. O meu pré-candidato internamente não foi o candidato indicado pelo partido, mas, na condição de candidato do PSOL ao governo de Pernambuco, de consenso inclusive, estou disponível para fazer a campanha do Plínio, dentro do clima de respeito que deve presidir as relações que se pretendam unitárias num partido socialista, plural e democrático. Todos os militantes do PSOL, cada um a seu tempo, cada um com sua sensibilidade, saberá dar sua contribuição para a construção de nossa estratégia eleitoral.
Isso, com certeza, não significará abstenção de diferenças. A luta interna no PSOL vai continuar, e tomara que continue, com aperfeiçoamentos no funcionamento da democracia partidária, reunindo nas disputas internas não mais “apenas” 11 mil filiados, mas 20, 30, 50 mil filiados. Queremos que se multipliquem dentro do PSOL as disputas, mostrando a pulsação e vivacidade do partido, e com elas biografias como as de Luciana Genro, Chico Alencar, Ivan Valente, Raul Marcelo, Carlos Giannazi, Marcelo Freixo, Eliomar Coelho, Fernanda Melchiona, Pedro Ruas, Ricardo Barboza, Elias Vaz, João Alfredo. Com alguns destes tenho grandes divergências, mas os quero e vou sempre trabalhar para que estejam dentro do PSOL.
Queremos que o PSOL transforme em força política real os quase 7 milhões de votos obtidos em 2006 por nossa maior liderança, Heloisa Helena, que será eleita senadora por Alagoas, convertendo-se numa das maiores vitórias da esquerda socialista brasileira nesta conjuntura eleitoral.
Queremos mais. Queremos mais e novos Osmarinos, lutadores dos povos da floresta. Queremos mais intelectuais como Leandro Konder e Carlos Nelson Coutinho. Queremos mais garotos da terceira idade como Milton Temer. Queremos mais líderes como João Batista, Gim Cabral e Marilda, lideranças do MTL que estão sendo criminalizados por lutarem pela terra no Triangulo Mineiro.
Queremos mais jovens organizados politicamente nas universidades e no meio popular. Queremos mais lideranças sindicais, mais Janiras; mais e mais trabalhadores do campo e da cidade, camelôs, mais flanelinhas, como aqueles organizados em Petrolina, no sertão nordestino, e que tem no PSOL seu partido. Queremos mais ousados e ousadas jovens e não tão jovens lideranças que se lançaram a disputar mais de 400 prefeituras do país em 2008, dentre estas as maiores metrópoles.
Queremos mais mulheres como Bernadete, a candidata feminista do PSOL ao governo de Tocantins em 2010. Queremos mais gente ousada como o polêmico e decidido Cinco, do Rio de Janeiro, lutador da causa da Cannabis: descriminalização, já! Queremos mais ativistas corajosos, gays, como Jean Willis, o Big Brother com consciência de classe, que se candidatará a deputado pelo Rio de Janeiro. Queremos mais artistas críticos como Marcelo Yuka, que também será candidato pelo PSOL no Rio de Janeiro agora em 2010. Queremos tudo isto e todos eles como são, pois nos interessa processar esta diversidade num debate vivo, sem o qual o PSOL jamais será um partido popular, de massas, com condições verdadeiras de tirar a estratégia socialista dos discursos de auditório e transformá-la em realidade.
É este partido, que guarda dentro de si esta força e esta diversidade, que o PSTU ousa decretar a falência. A realidade fala outra coisa. O PSOL deve estar falido, e tomara que esteja mesmo, como possibilidade de ser um partido parecido com o PSTU. Aliás, para isto militamos todos os dias. O PSOL, como fundamos, nega-se a cometer os mesmos erros do PT, mas também nega-se intransigentemente a cometer os mesmos erros do PSTU.
É importante que se saiba que o PSTU não tem tendências internas, mas tem uma fração interna dirigente permanente que não admite qualquer divergência. Alguma semelhança com a era Stalin à frente do PC na ex-URSS? É por isso que a cada congresso do PSTU um grupo interno se organiza e, pensando que há democracia, tenta discutir alguma coisa, mas é esmagado pela fração interna permanente que dirige aquele partido, saindo em seguida. O PSTU é o partido não das tendências, mas das rupturas, incontáveis. Foi isso que aconteceu em 2001, por exemplo, quando uma plenária do PSTU realizada em Recife foi anulada por que a tendência contrária à maioria do Comitê Central foi vitoriosa. Esta manobra burocrática gerou a saída de mais um grupo organizado do PSTU, o Coletivo Socialista, mais tarde convertido em Pólo de Resistência Socialista, grupo que depois viria a fundar o PSOL com uma certeza: modelo PSTU, nunca mais!
A vida política interna do PSOL tem a ver com uma concepção partidária presente já no seu nome: LIBERDADE. É esta liberdade, com a clareza de que somos uma organização política de socialistas, e que acredita que sem povo organizado não há poder popular possível, que ousamos dizer que não estamos falindo, estamos apenas começando. É esta mesma liberdade e esta concepção partidária, de conviver com diferenças, que nos faz ver mesmo no PSTU o que nos une e não aquilo que nos separa, o que nos leva a propor, de forma honesta e franca, a construção de uma Frente de Esquerda para disputar as eleições 2010, para combater a falsa polarização PT versus PSDB e as falsas alternativas que se apresentam, como Marina Silva, do PV.
* Foi fundador do PSTU em 1994. Em 2002, foi fundador do Coletivo Socialista, dissidência do PSTU, que se transformou depois no grupo regional Pólo de Resistência Socialista, que com outras forças fundou o PSOL em 2004. Atualmente é Presidente do PSOL-PE e membro da Direção Executiva Nacional do PSOL.
sábado, 10 de abril de 2010
Do caos à lama - Nota do Vamos a Luta sobre a tragedia no Rio
O Caos!
Estamos vivendo dias de caos no estado do Rio de Janeiro. Desde a
noite da última segunda-feira (05/04) o Rio tem sofrido com fortes
chuvas que abalaram todo o seu funcionamento. Desde o incômodo de
pessoas com dificuldade de locomoção até milhares de desabrigados e
desalojados, e pior ainda, até agora são 179 mortos. Este último
número, infelizmente, irá subir nas próximas horas.
A região metropolitana foi a mais afetada, mas cidades da baixada como
Nilópolis, da região dos lagos como Maricá, Araruama e Saquarema,
dentre outras, também foram atingidas. As situações mais graves são as
de Niterói, da capital e de São Gonçalo.
Em Niterói já são mais de 75 mortos e é onde o número mais tende a
subir. No morro do Bumba, estima-se que pelo menos 200 pessoas possam
estar debaixo dos escombros. Fora isso, no Morro do Estado, no
Palmeiras e em outras localidades há também muitas vítimas.
Muitos lugares ainda estão sem luz e sem água. As aulas estão
paralisados e muitos trabalhadores não conseguem chegar ao seu local
de trabalho. Aos poucos, as cidades tentam voltar ao “normal”.
A lama!
Na manhã de terça, Lula esteve no Rio com Sérgio Cabral e Eduardo Paes
para a inauguração do “PAC das comunidades” no Morro do Alemão. A
inauguração não ocorreu porque a obra também estava debaixo d`água.
Quando provocados por jornalistas todos eles tentaram colocar a culpa
na natureza. Mas não apenas isso, foram além, e culpabilizaram a
população pelo que estavam vivendo. No raciocínio de Cabral, Lula e
Paes, a culpa pelas mortes e pelos desabrigados é justamente dos que
morreram e dos que estão desabrigados, porque “escolheram morar em
áreas de risco”.
Cabral que chorou por conta da emenda dos Royalties faz pouco caso da
tragédia social pela qual o Rio está passando hoje.
Por trás desses discursos, há a tentativa de se eximir da
responsabilidade por tantas mortes e sofrimento. Os verdadeiros
culpados por tudo isso são em primeiro lugar Lula, Cabral, Eduardo
Paes, Jorge Roberto Silveira e todos os demais prefeitos das cidades
atingidas. Aos fatos:
1 - As verbas do Ministério de Integração destinadas a prevenção de
catástrofes tem sido minguadas. O relatório da auditoria do Tribunal
de Contas da União mostra que os recursos distribuídos e efetivamente
aplicados são insignificantes. Entre 2004 e 2009 dos R$ 358 milhões
destinados a essa rubrica, apenas 0,65% desse montante foram
destinados ao estado do Rio de Janeiro. E dados do “Contas Abertas”,
mostram que desde o início do ano até nenhum centavo veio para o
Estado do Rio;
2 – Cabral está no seu 4º ano de governo. O Estado do Rio recebe só de
Royalties da exploração do petróleo anualmente 5 bilhões de reais. Em
4 anos são 20 bilhões. Não há nenhum programa do Governo Estadual de
moradias para a população. A única medida que Cabral tentou efetivar
foi a de “cercamento das favelas” para que novas moradias não fossem
construídas.
3 – No caso de Niterói, o descaso do governo também é bastante nítido.
No ano 2006, a pedido da Prefeitura, o Núcleo de Estudos e Projetos
Habitacionais Urbanos (Nephu) da Universidade Federal Fluminense
elaborou um plano de prevenção de riscos de deslizamentos e enchentes
com custo estimado em R$ 44 milhões que não foi implementado. Na
ocasião foram listados 142 pontos de risco de deslizamento. Segundo o
jornal O Globo (08/04/2010), “o projeto contrasta com o orçamento da
Prefeitura para as ações de drenagem e intervenções em áreas de risco,
que prevê gastos de apenas R$ 13,7 milhões do R$ 878 milhões das
receitas municipais deste ano.”
É por isso que afirmamos que as causas desse caos que estamos vivendo
não são naturais. São políticas e sociais. Ficam claras as
fragilidades em relação à habitação, saneamento básico, escoamento de
águas pluviais, planos de emergência, saúde pública, etc.
A UFF tem que ajudar!
Estamos pressionando a Reitoria da UFF para que utilize suas
possibilidades para ajudar as pessoas. Estamos exigindo: reabertura
imediata da emergência do HUAP; liberação de espaços da Universidade
para servirem de abrigo; abono de faltas de todos os funcionário
efetivos e terceirizados destes dias e; liberação do bandejão para
alimentação da população atingida.
Vamos à Luta!
A tarefa da juventude neste momento difícil deve ser a de cobrir de
solidariedade à população de todo o Rio. Devemos construir comitês de
coleta de donativos: alimentos, água, roupas, colchões, remédios, etc.
Estamos ajudando diariamente no ponto de coleta de doações do HUAP.
Quem quiser vir ajudar será muito bem vindo! Estamos organizando
brigadas e indo aos lugares atingidos. Quando as aulas voltarem, temos
que fazer isso também em nossos campi. Mas temos que ir além. O que
nos difere do assistencialismo é justamente nossa ação política. Esta
manhã estivemos na Assembléia dos moradores do Morro do Estado, onde
estavam além dos moradores, várias entidades como o SINTUFF e o DCE da
UFF. Deliberou-se a realização de uma grande manifestação pública em
Niterói, no próximo dia 15/04 (quinta-feira) contra o descaso dos
governantes. Temos que ajudar a construir este grande ato para pedir a
cabeça dos verdadeiros culpados pelo caos.
Coletivo Estudantil “Vamos à Luta!”
Contatos: www.juvvamosaluta.blogspot.com
Juninho: juninho.uff@gmail.com (21) 9394-6339
Bárbara Sinedino: barbara2870@yahoo.com.br (21) 8873-6479
Ciane: ciane.rodrigues@hotmail.com (21) 8546-8373
Rafael Lazari: lazari.rafael@gmail.com (21) 7119-4732
Marco Antônio “Amapá”: marcounifap@yahoo.com.br (21) 8691-9607
André “Kbça”: andretertuliano@gmail.com (21) 9298-2282
Estamos vivendo dias de caos no estado do Rio de Janeiro. Desde a
noite da última segunda-feira (05/04) o Rio tem sofrido com fortes
chuvas que abalaram todo o seu funcionamento. Desde o incômodo de
pessoas com dificuldade de locomoção até milhares de desabrigados e
desalojados, e pior ainda, até agora são 179 mortos. Este último
número, infelizmente, irá subir nas próximas horas.
A região metropolitana foi a mais afetada, mas cidades da baixada como
Nilópolis, da região dos lagos como Maricá, Araruama e Saquarema,
dentre outras, também foram atingidas. As situações mais graves são as
de Niterói, da capital e de São Gonçalo.
Em Niterói já são mais de 75 mortos e é onde o número mais tende a
subir. No morro do Bumba, estima-se que pelo menos 200 pessoas possam
estar debaixo dos escombros. Fora isso, no Morro do Estado, no
Palmeiras e em outras localidades há também muitas vítimas.
Muitos lugares ainda estão sem luz e sem água. As aulas estão
paralisados e muitos trabalhadores não conseguem chegar ao seu local
de trabalho. Aos poucos, as cidades tentam voltar ao “normal”.
A lama!
Na manhã de terça, Lula esteve no Rio com Sérgio Cabral e Eduardo Paes
para a inauguração do “PAC das comunidades” no Morro do Alemão. A
inauguração não ocorreu porque a obra também estava debaixo d`água.
Quando provocados por jornalistas todos eles tentaram colocar a culpa
na natureza. Mas não apenas isso, foram além, e culpabilizaram a
população pelo que estavam vivendo. No raciocínio de Cabral, Lula e
Paes, a culpa pelas mortes e pelos desabrigados é justamente dos que
morreram e dos que estão desabrigados, porque “escolheram morar em
áreas de risco”.
Cabral que chorou por conta da emenda dos Royalties faz pouco caso da
tragédia social pela qual o Rio está passando hoje.
Por trás desses discursos, há a tentativa de se eximir da
responsabilidade por tantas mortes e sofrimento. Os verdadeiros
culpados por tudo isso são em primeiro lugar Lula, Cabral, Eduardo
Paes, Jorge Roberto Silveira e todos os demais prefeitos das cidades
atingidas. Aos fatos:
1 - As verbas do Ministério de Integração destinadas a prevenção de
catástrofes tem sido minguadas. O relatório da auditoria do Tribunal
de Contas da União mostra que os recursos distribuídos e efetivamente
aplicados são insignificantes. Entre 2004 e 2009 dos R$ 358 milhões
destinados a essa rubrica, apenas 0,65% desse montante foram
destinados ao estado do Rio de Janeiro. E dados do “Contas Abertas”,
mostram que desde o início do ano até nenhum centavo veio para o
Estado do Rio;
2 – Cabral está no seu 4º ano de governo. O Estado do Rio recebe só de
Royalties da exploração do petróleo anualmente 5 bilhões de reais. Em
4 anos são 20 bilhões. Não há nenhum programa do Governo Estadual de
moradias para a população. A única medida que Cabral tentou efetivar
foi a de “cercamento das favelas” para que novas moradias não fossem
construídas.
3 – No caso de Niterói, o descaso do governo também é bastante nítido.
No ano 2006, a pedido da Prefeitura, o Núcleo de Estudos e Projetos
Habitacionais Urbanos (Nephu) da Universidade Federal Fluminense
elaborou um plano de prevenção de riscos de deslizamentos e enchentes
com custo estimado em R$ 44 milhões que não foi implementado. Na
ocasião foram listados 142 pontos de risco de deslizamento. Segundo o
jornal O Globo (08/04/2010), “o projeto contrasta com o orçamento da
Prefeitura para as ações de drenagem e intervenções em áreas de risco,
que prevê gastos de apenas R$ 13,7 milhões do R$ 878 milhões das
receitas municipais deste ano.”
É por isso que afirmamos que as causas desse caos que estamos vivendo
não são naturais. São políticas e sociais. Ficam claras as
fragilidades em relação à habitação, saneamento básico, escoamento de
águas pluviais, planos de emergência, saúde pública, etc.
A UFF tem que ajudar!
Estamos pressionando a Reitoria da UFF para que utilize suas
possibilidades para ajudar as pessoas. Estamos exigindo: reabertura
imediata da emergência do HUAP; liberação de espaços da Universidade
para servirem de abrigo; abono de faltas de todos os funcionário
efetivos e terceirizados destes dias e; liberação do bandejão para
alimentação da população atingida.
Vamos à Luta!
A tarefa da juventude neste momento difícil deve ser a de cobrir de
solidariedade à população de todo o Rio. Devemos construir comitês de
coleta de donativos: alimentos, água, roupas, colchões, remédios, etc.
Estamos ajudando diariamente no ponto de coleta de doações do HUAP.
Quem quiser vir ajudar será muito bem vindo! Estamos organizando
brigadas e indo aos lugares atingidos. Quando as aulas voltarem, temos
que fazer isso também em nossos campi. Mas temos que ir além. O que
nos difere do assistencialismo é justamente nossa ação política. Esta
manhã estivemos na Assembléia dos moradores do Morro do Estado, onde
estavam além dos moradores, várias entidades como o SINTUFF e o DCE da
UFF. Deliberou-se a realização de uma grande manifestação pública em
Niterói, no próximo dia 15/04 (quinta-feira) contra o descaso dos
governantes. Temos que ajudar a construir este grande ato para pedir a
cabeça dos verdadeiros culpados pelo caos.
Coletivo Estudantil “Vamos à Luta!”
Contatos: www.juvvamosaluta.blogspot.com
Juninho: juninho.uff@gmail.com (21) 9394-6339
Bárbara Sinedino: barbara2870@yahoo.com.br (21) 8873-6479
Ciane: ciane.rodrigues@hotmail.com (21) 8546-8373
Rafael Lazari: lazari.rafael@gmail.com (21) 7119-4732
Marco Antônio “Amapá”: marcounifap@yahoo.com.br (21) 8691-9607
André “Kbça”: andretertuliano@gmail.com (21) 9298-2282
Tragédia? Não para o capital
por Marcelo Badaró
08/04/2010
“Sou o monstro criado por ti
No lixão do Jaracati
Foi ali que vi minha mãe
Garimpando um rango pra mim
Foi ali que eu vi os irmãos
Todos negros com calos nas mãos
Atração pro boy que filmava
Da sacada de sua mansão
Foi ali que eu vi o contraste
Duas cidades em uma cidade
Foi ali que eu vi que nós éramos
Patrimônio da desigualdade”
O Imortal
Gíria Vermelha
Moro entre Niterói e Santa Teresa e escrevo quando muitos de meus vizinhos nos dois locais não têm mais onde morar, depois de três dias de chuvas que castigam o Grande Rio. Muitos outros não sobreviveram. Somente no Morro do Bumba, em Niterói, a estimativa é de que 200 pessoas possam ter morrido soterradas.
Estimativas, não dados precisos, porque aquelas pessoas que moravam na encosta de um antigo aterro sanitário são realmente tratadas pelo Estado como resíduos urbanos. Não há cadastramento da área para precisar o número de casas e pessoas atingidas. Mas o prefeito da cidade, o Sr. Jorge Roberto da Silveira (PDT), afirmou na véspera desse desabamento, quando o número de vítimas em Niterói já ultrapassava 60 pessoas, que o número de casas em áreas de risco na cidade era muito pequeno para justificar obras de contenção de encostas muito caras, sendo mais barato remover os moradores dessas áreas. Nada a estranhar, partindo de um prefeito que tomou como prioridade asfaltar as ruas da Zona Sul (sem as devidas obras de drenagem) e construir torres panorâmicas, mas que destinou no Orçamento Municipal de 2010 apenas 50 mil reais para Obras de redução de risco a desabamentos e escorregamentos de encostas, quando gasta mais de 2 milhões por ano somente com o custeio de um Conselho Consultivo, no qual reduz os riscos de amigos e correligionários com uma polpuda sinecura, conforme denunciou o vereador Renatinho (PSOL).
Para os trabalhadores e trabalhadoras mais pauperizados, que só encontraram aquelas encostas para morar, a solução “mais barata” é a remoção. Nada se diz porém, das ocupações de outras encostas, tão ou mais irregulares e também sujeitas a deslizamentos de terra, como ocorreu na Estrada Fróes, área “nobre” para a especulação imobiliária da cidade, que há poucos anos conquistou concessões da Prefeitura para construir um imenso condomínio de mansões e prédios de luxo em local que deveria ser destinado à preservação ambiental.
Remoção! é, aliás, a palavra de ordem. O governador Sérgio Cabral (PMDB), ao lado do presidente Lula da Silva (PT) e com sua aprovação apressou-se a definir os responsáveis pelas mortes: os moradores das favelas cariocas, que teimam em construir em áreas de risco. Por isso, afirmou a correção de sua proposta de construção de muros “ecológicos” de contenção (complementados, é claro, pelas placas de “isolamento acústico”). Tais instrumentos, passo adiantado para converter favelas e áreas periféricas de guetos, que já são, em campos de concentração, para mais eficiência na ação dos caveirões e UPPs (todos “pacificadores”), agora são apresentados como solução para o problema das chuvas.
Ao invés de urbanização das favelas, regularização do direito ao solo, construção de moradias decentes e contenção das encostas, a “contenção” das pessoas, pelos muros e armas. E se remoção é a solução, Cabral também anunciou que a Polícia Militar estava a disposição de todos os prefeitos para efetivar essa política.
Eduardo Paes (PMDB), o prefeito do Rio, que coincidentemente era o “prefeitinho” de César Maia na região da Barra da Tijuca e Jacarepaguá, quando das também trágicas enchentes de 1996, é o que mais rapidamente se apresentou para defender a necessidade das remoções, amplas, gerais e irrestritas, classificando de demagogos os que a elas se opõem. A lista começa pelos moradores do Morro dos Prazeres, em Santa Teresa, castigado pelas chuvas desta semana, mas logo se amplia para todas as favelas que já haviam sido listadas como prioritárias para remoção em função das Olimpíadas, em número muito superior ao de qualquer levantamento de áreas de risco na cidade.
Quanto à prevenção, agora anuncia-se que o governo federal enviará 200 milhões para o estado do Rio de Janeiro. Tarde demais, como sempre, pois até aqui nenhum tostão foi enviado para obras de prevenção de enchentes e contenção de encostas este ano, e descobriu-se agora que o ex-Ministro Geddel Vieira Lima (PMDB), candidato ao governo baiano, enviou 50% das verbas federais de prevenção de desastres para a Bahia, enquanto Rio recebeu menos de 1%. Mas não se desesperem os que estão sem teto por conta das chuvas, pois o governo federal liberou os saques das contas de FGTS (dinheiro do próprio trabalhador) dos atingidos. FG o que?, perguntam os milhares de trabalhadores precarizados que foram atingidos por esse desastre.
O caso é que hoje, como tudo na sociedade de classes instituída pelo poder do capital, as tragédias não são vistas pelo mesmo ângulo por todos. Para os interesses do capital imobiliário, da construção civil, dos monopólios do transporte e serviços públicos e de seus representantes, eleitos para ocupar os governos através de campanhas que financiam com fartura de recursos, as tragédias, como tudo mais, são um bom negócio. Naomi Klein, no livro A doutrina do Choque documentou e analisou como crises econômicas, catástrofes naturais (furacões, terremotos, tsunamis) e guerras, são cada vez mais instrumentalizadas pela lógica do capital, como momentos “excepcionais”, em que grandes comoções criam o clima necessário para a aplicação das doutrinas de choque, com retirada de direitos, privatizações e criminalizações. (ver a esse respeito a entrevista publicada na revista Classe, no. 1, em www.aduff.org.br)
Nada mais apropriado para se entender o Brasil de hoje e, em especial, o Rio de Janeiro. Aqui, na terra dos “choques de ordem”, a tragédia fomentada pelo capital – que transforma o solo urbano em uma de suas principais áreas de investimento e especulação e inviabiliza a moradia e vida digna da maioria da classe trabalhadora – não está sendo pranteada pelos governantes. Dias de luto oficial e lamentos na TV não escondem as comemorações daqueles que nada fizeram para prevenir desastres, porque esperam por eles, para impingir mais “choques” à população. A nós cabe sim a comoção com a tragédia que retira tantas vidas, mas também a indignação, semente da reação, que não pode tardar.
*Marcelo Badaró é professor de História da UFF
08/04/2010
“Sou o monstro criado por ti
No lixão do Jaracati
Foi ali que vi minha mãe
Garimpando um rango pra mim
Foi ali que eu vi os irmãos
Todos negros com calos nas mãos
Atração pro boy que filmava
Da sacada de sua mansão
Foi ali que eu vi o contraste
Duas cidades em uma cidade
Foi ali que eu vi que nós éramos
Patrimônio da desigualdade”
O Imortal
Gíria Vermelha
Moro entre Niterói e Santa Teresa e escrevo quando muitos de meus vizinhos nos dois locais não têm mais onde morar, depois de três dias de chuvas que castigam o Grande Rio. Muitos outros não sobreviveram. Somente no Morro do Bumba, em Niterói, a estimativa é de que 200 pessoas possam ter morrido soterradas.
Estimativas, não dados precisos, porque aquelas pessoas que moravam na encosta de um antigo aterro sanitário são realmente tratadas pelo Estado como resíduos urbanos. Não há cadastramento da área para precisar o número de casas e pessoas atingidas. Mas o prefeito da cidade, o Sr. Jorge Roberto da Silveira (PDT), afirmou na véspera desse desabamento, quando o número de vítimas em Niterói já ultrapassava 60 pessoas, que o número de casas em áreas de risco na cidade era muito pequeno para justificar obras de contenção de encostas muito caras, sendo mais barato remover os moradores dessas áreas. Nada a estranhar, partindo de um prefeito que tomou como prioridade asfaltar as ruas da Zona Sul (sem as devidas obras de drenagem) e construir torres panorâmicas, mas que destinou no Orçamento Municipal de 2010 apenas 50 mil reais para Obras de redução de risco a desabamentos e escorregamentos de encostas, quando gasta mais de 2 milhões por ano somente com o custeio de um Conselho Consultivo, no qual reduz os riscos de amigos e correligionários com uma polpuda sinecura, conforme denunciou o vereador Renatinho (PSOL).
Para os trabalhadores e trabalhadoras mais pauperizados, que só encontraram aquelas encostas para morar, a solução “mais barata” é a remoção. Nada se diz porém, das ocupações de outras encostas, tão ou mais irregulares e também sujeitas a deslizamentos de terra, como ocorreu na Estrada Fróes, área “nobre” para a especulação imobiliária da cidade, que há poucos anos conquistou concessões da Prefeitura para construir um imenso condomínio de mansões e prédios de luxo em local que deveria ser destinado à preservação ambiental.
Remoção! é, aliás, a palavra de ordem. O governador Sérgio Cabral (PMDB), ao lado do presidente Lula da Silva (PT) e com sua aprovação apressou-se a definir os responsáveis pelas mortes: os moradores das favelas cariocas, que teimam em construir em áreas de risco. Por isso, afirmou a correção de sua proposta de construção de muros “ecológicos” de contenção (complementados, é claro, pelas placas de “isolamento acústico”). Tais instrumentos, passo adiantado para converter favelas e áreas periféricas de guetos, que já são, em campos de concentração, para mais eficiência na ação dos caveirões e UPPs (todos “pacificadores”), agora são apresentados como solução para o problema das chuvas.
Ao invés de urbanização das favelas, regularização do direito ao solo, construção de moradias decentes e contenção das encostas, a “contenção” das pessoas, pelos muros e armas. E se remoção é a solução, Cabral também anunciou que a Polícia Militar estava a disposição de todos os prefeitos para efetivar essa política.
Eduardo Paes (PMDB), o prefeito do Rio, que coincidentemente era o “prefeitinho” de César Maia na região da Barra da Tijuca e Jacarepaguá, quando das também trágicas enchentes de 1996, é o que mais rapidamente se apresentou para defender a necessidade das remoções, amplas, gerais e irrestritas, classificando de demagogos os que a elas se opõem. A lista começa pelos moradores do Morro dos Prazeres, em Santa Teresa, castigado pelas chuvas desta semana, mas logo se amplia para todas as favelas que já haviam sido listadas como prioritárias para remoção em função das Olimpíadas, em número muito superior ao de qualquer levantamento de áreas de risco na cidade.
Quanto à prevenção, agora anuncia-se que o governo federal enviará 200 milhões para o estado do Rio de Janeiro. Tarde demais, como sempre, pois até aqui nenhum tostão foi enviado para obras de prevenção de enchentes e contenção de encostas este ano, e descobriu-se agora que o ex-Ministro Geddel Vieira Lima (PMDB), candidato ao governo baiano, enviou 50% das verbas federais de prevenção de desastres para a Bahia, enquanto Rio recebeu menos de 1%. Mas não se desesperem os que estão sem teto por conta das chuvas, pois o governo federal liberou os saques das contas de FGTS (dinheiro do próprio trabalhador) dos atingidos. FG o que?, perguntam os milhares de trabalhadores precarizados que foram atingidos por esse desastre.
O caso é que hoje, como tudo na sociedade de classes instituída pelo poder do capital, as tragédias não são vistas pelo mesmo ângulo por todos. Para os interesses do capital imobiliário, da construção civil, dos monopólios do transporte e serviços públicos e de seus representantes, eleitos para ocupar os governos através de campanhas que financiam com fartura de recursos, as tragédias, como tudo mais, são um bom negócio. Naomi Klein, no livro A doutrina do Choque documentou e analisou como crises econômicas, catástrofes naturais (furacões, terremotos, tsunamis) e guerras, são cada vez mais instrumentalizadas pela lógica do capital, como momentos “excepcionais”, em que grandes comoções criam o clima necessário para a aplicação das doutrinas de choque, com retirada de direitos, privatizações e criminalizações. (ver a esse respeito a entrevista publicada na revista Classe, no. 1, em www.aduff.org.br)
Nada mais apropriado para se entender o Brasil de hoje e, em especial, o Rio de Janeiro. Aqui, na terra dos “choques de ordem”, a tragédia fomentada pelo capital – que transforma o solo urbano em uma de suas principais áreas de investimento e especulação e inviabiliza a moradia e vida digna da maioria da classe trabalhadora – não está sendo pranteada pelos governantes. Dias de luto oficial e lamentos na TV não escondem as comemorações daqueles que nada fizeram para prevenir desastres, porque esperam por eles, para impingir mais “choques” à população. A nós cabe sim a comoção com a tragédia que retira tantas vidas, mas também a indignação, semente da reação, que não pode tardar.
*Marcelo Badaró é professor de História da UFF
quarta-feira, 24 de março de 2010
Grades resolvem o problema da violencia na UFPA?

Na última segunda-feira 22 de março, realizou-se o Conselho de Entidades de Base , pra quem nao sabe é um Conselho de Centros Academicos, segunda instancia maior de deliberação do movimento estudantil da UFPA, atrás apenas do Congresso Estudantil.
Aprovou-se uma campanha pela base de imediata abertura do Restaurante Universitario, mas o que mais chamou atenção foi o debate da regulamentação das atividades culturais no espaço conhecido como Vadiao.
A violencia é um imperativo na cidade universitaria. Todas as noites os estudantes sao obrigados a sair em grupo, com medo de serem assaltados. Esta tragedia anunciada quase virou fato no ano passado, quando a professora Lilian Brito, da ADUFPA, sofreu uma tentativa de estupro nos altos do Vadiao.
A solução pra este problema todos sabemos: contratação de mais seguranças, iluminação, circular rodando. Mas na contramão disso, e de forma comica, pra nao dizer tragica, a Reitoria da UFPA, à frente o Prof. Maneschy, apresentou proposta para resolver a segurança que falta nesses espaços: colocar grades no Vadiao durante as festas.
O que mais nos falta é o efetivo de segurança. O prof Maneschy saiu vitorioso na eleição com o slogan "é pra fazer melhor", mas até agora nao se viu aumentar segurança, o Circular é pouco, o campus está em muitos lugares um breu e a reitoria propoe que se coloque grade nas festas. E o caminho entre o Vadiao e os terminais de onibus? terao grades também? E nos dias que nao tem festa? O que se fazer?
Também me surpreendeu que seis Centros Academicos tenham votado na proposta da reitoria. Quando a farinha é pouca parece que o primeiro pirao é o meu.
terça-feira, 16 de março de 2010
IFCH e os alojamentos
Estamos organizando o Encontro Nacional dos Estudantes de Ciencias Sociais, a direção do IFCH que vinha se posicionando contra os alojamentos nas salas de aula, as vesperas da eleição adota um discurso mais flexivel, se colocam favoraveis desde que se pague a quantia infima de 7 mil reais de deposito para eventuais prejuizos.
Se posicionam favoraveis, mas jogam a responsabilidade pra Congregação. Teremos panos pras mangas nos proximos dias
Se posicionam favoraveis, mas jogam a responsabilidade pra Congregação. Teremos panos pras mangas nos proximos dias
Impasse no ICED
No Instituto de Ciencias da Educacao na UFPA, o bloco governista derrotado nas urnas e em todas as categorias (estudantes, tecnicos,docentes) pela professora Ana Tancredi, na graduação e na pos graduação, tenta dar um golpe e vencer a eleição no Programa de Pos Graduação em Educacao, tentando eleger o professor Ronaldo Lima, vamos ver onde isso vai dar.
quinta-feira, 4 de março de 2010
Novo ENEM na UFPA

Já começaram e estão bem adiantadas discussões por dentro do comando da universidade para aderir ao ENEM, diante de toda a polémica que envolveu as possíveis fraudes e violações no ultimo vestibular.
A opção pelo ENEM traduz o alinhamento à politica do Governo Federal, que depois de oito anos de mentiras e ilusões, de desmanche, ataque e precarização das universidades públicas, aparece com um modelo de acesso que não contempla a bandeira histórica dos movimentos em defesa da educação: mais vagas e expansão com qualidade.
Nao vamos nos esquecer que o proprio ENEM foi igual ao PSS: cancelado por fraudes. O argumento etico cai por terra.
O movimento estudantil de luta, docente e técnico com certeza dará respostas a altura.
quarta-feira, 3 de março de 2010
Belo Monte: a volta triunfante da ditadura militar?

Por Leonardo Boff, teólogo, representante e co-redator da Carta da Terra.
O governo Lula possui méritos inegáveis na questão social*. Mas na questão ambiental é de uma inconsciência e de um atraso palmar. Ao analisar o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) temos a impressão de sermos devolvidos ao século XIX.
É a mesma mentalidade que vê a natureza como mera reserva de recursos, base para alavancar projetos faraônicos, levados avante a ferro e fogo, dentro de um modelo de crescimento ultrapassado que favorece as grandes empresas à custa da depredação da natureza e da criação de muita pobreza.
Este modelo está sendo questionado no mundo inteiro por desestabilizar o planeta Terra como um todo e mesmo assim é assumido pelo PAC sem qualquer escrúpulo. A discussão com as populações afetadas e com a sociedade foi pífia. Impera a lógica autoritária; primeiro decide-se depois se convoca a audiência pública. Pois é exatamente isto que está ocorrendo com o projeto da construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte no rio Xingu, estado do Pará.
Tudo está sendo levado aos trambolhões, atropelando processos, ocultando o importante parecer 114/09 de dezembro de 2009, emitido pelo IBAMA (órgão que cuida das questões ambientais), contrário à construção da usina, e a opinião da maioria dos ambientalistas nacionais e internacionais que dizem ser este projeto um grave equívoco com conseqüências ambientais imprevisíveis.
O Ministério Público Federal que encaminhou processos de embargo, eventualmente levando a questão a foros internacionais, sofreu coação da Advocacia Geral da União (AGU), com o apoio público do presidente, de processar os procuradores e promotores destas ações por abuso de poder.
Esse projeto vem da ditadura militar dos anos 70. Sob pressão dos indígenas apoiados pelo cantor Sting em parceria com o cacique Raoni foi engavetado em 1989. Agora, com a licença prévia concedida no dia 1º de fevereiro, o projeto da ditadura pôde voltar triunfalmente, apresentado pelo governo como a maior obra do PAC.
Neste projeto tudo é megalômano: inundação de 51.600 hectares de floresta, com um espelho d’água de 516 km², desvio do rio com a construção de dois canais de 500m de largura e 30 km de comprimento, deixando 100 km de leito seco, submergindo a parte mais bela do Xingu, a Volta Grande e um terço de Altamira, com um custo entre 17 e 30 bilhões de reais, desalojando cerca de 20 mil pessoas e atraindo para as obras cerca de 80 mil trabalhadores para produzir 11.233 MW de energia no tempo das cheias (4 meses) e somente 4 mil MW no resto do ano, para, por fim, transportá-la até 5 mil km de distância.
Esse gigantismo, típico de mentes tecnocráticas, beira a insensatez, pois, dada a crise ambiental global, todos recomendam obras menores, valorizando matrizes energéticas alternativas, baseadas na água, no vento, no sol e na biomassa. E tudo isso nós temos em abundância. Considerando as opiniões dos especialistas podemos dizer: a usina hidrelétrica de Monte Belo é tecnicamente desaconselhável, exageradamente cara, ecologicamente desastrosa, socialmente perversa, perturbadora da floresta amazônica e uma grave agressão ao sistema-Terra.
Este projeto se caracteriza pelo desrespeito às dezenas de etnias indígenas que lá vivem há milhares de anos e que sequer foram ouvidas; desrespeito à floresta amazônica cuja vocação não é produzir energia elétrica mas bens e serviços naturais de grande valor econômico; desrespeito aos técnicos do IBAMA e a outras autoridades científicas contrárias a esse empreendimento; desrespeito à consciência ecológica que devido às ameaças que pesam sobre o sistema da vida pedem extremo cuidado com as florestas; desrespeito ao Bem Comum da Terra e da Humanidade, a nova centralidade das políticas mundiais.
Se houvesse um Tribunal Mundial de Crimes contra a Terra, como está sendo projetado por um grupo altamente qualificado que estuda a reinvenção da ONU sob a coordenação de Miguel d’Escoto, ex-presidente da Assembléia (2008-2009), seguramente os promotores da hidrelétrica de Belo Monte estariam na mira deste tribunal.
Ainda há tempo de frear a construção desta monstruosidade, porque há alternativas melhores. Não queremos que se realizem as palavras do bispo Dom Erwin Kräutler, defensor dos indígenas e contra Belo Monte: "Lula entrará na história como o grande depredador da Amazônia e o coveiro dos povos indígenas e ribeirinhos do Xingu".
Do blog Xingu Vivo para Sempre
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